Arquivo de 19 de Abril de 2009
Visão da Casa do PAC: “Ser um modelo de entidade”
Nos últimos 20 anos, o Governo brasileiro não apresentou nenhuma ação transformadora nas condições de vida das crianças e adolescentes em situação de rua ou abrigamento, e nem de suas famílias.
As propostas de desinstitucionalização ainda não estão na agenda das políticas (1), muito pelo contrário, cada vez mais as discussões se voltam para o aumento da capacidade de abrigamento, relegando a um segundo plano a efetiva implementação do Sistema de Garantia de Direitos das Crianças e Adolescentes, a qual os Estados, Municípios e a própria sociedade têm um papel importante a cumprir.
Em 2008, a AMB - Associação dos Magistrados Brasileiros, divulgou que existem 80 mil crianças e adolescentes vivendo em abrigos espalhados pelo Brasil, e que apenas 10% destes estão disponíveis para adoção. Isto, sem contar que grande parte destas crianças não atende ao perfil procurado pelos candidatos brasileiros à adoção, e desta forma, vão viver em Abrigos até completarem a maioridade.
De acordo com o ECA, o abrigo em entidade deveria ser provisório e excepcional, mas a realidade nos mostra o contrário.
E é com base nesta realidade que a Casa do PAC tem como propósito desenvolver uma metodologia de trabalho que a torne um Abrigo modelo, referência, desmistificando conceitos antigos e, provavelmente, ainda praticados por algumas entidades sem capacitação profissional ou idealismo social.
Cada criança e adolescente será tratado na sua individualidade, para que cada um deles se sinta uma pessoa única, com acesso irrestrito ao desenvolvimento de sua saúde física, intelectual, espiritual, social, profissional e financeira, ao convívio familiar e comunitário.
E a excelência no abrigamento, aliado aos valores institucionais, conquistarão a sustentabilidade financeira, o que permitirá a equipe gestora focar-se cada vez mais no desenvolvimento contínuo desta ação social.
Kelly Lopes
Diretora Financeira
(1) Conforme informado no II Relatório da Rede de Monitoramento Amiga da Criança, em 2007.
1 comentário »Você sabia?
De acordo com uma pesquisa realizada pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 587 instituições brasileiras que fornecem o programa de abrigo para cerca de 20 mil crianças e adolescentes, percebeu-se que o motivo que mais leva as crianças e adolescentes ao abrigo é a pobreza?
Analisando o gráfico abaixo, fica fácil perceber porque não se utiliza mais o termo “Orfanato” e sim “Abrigo”. Crianças órfãs, sem família, compreendem a minoria dos casos de abrigamento.
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